Furlan e Luciana  despencam 15 pontos e avanço de Clécio muda cenário da eleição

Os números mais recentes da evolução eleitoral acendem um sinal de alerta para Antônio Furlan e apontam uma mudança importante na dinâmica da disputa. Embora permaneça na liderança, Furlan viu sua vantagem sobre Clécio Luís despencar 15,3 pontos percentuais em apenas um mês, enquanto o atual governador avançou de forma consistente e encurtou uma distância que, até julho, parecia muito mais confortável para o adversário..

Entre 20 de julho e 20 de agosto, Furlan passou de 66% para 60%, enquanto Clécio saltou de 26,7% para 36%. A diferença, que chegava a 39,3 pontos, agora está em 24 pontos percentuais. Isso significa que, proporcionalmente, cerca de 39% da enorme vantagem que Furlan possuía desapareceu em apenas 30 dias. Mais do que observar quem lidera, portanto, o dado politicamente relevante está na direção das duas curvas: uma desce enquanto a outra avança.

O desgaste ocorre em um momento no qual Furlan também precisa administrar questões políticas que podem pesar sobre sua candidatura. Uma delas é a escolha de Luciana Gurgel para a vice, composição que provocou críticas e questionamentos políticos desde que foi anunciada. A decisão aproximou Furlan de um grupo político já conhecido do eleitorado e passou a integrar o debate sobre a imagem de renovação que o ex-prefeito buscava construir. Sem uma pesquisa específica que mensure o impacto da vice sobre a intenção de voto, não é possível atribuir a ela diretamente a queda de Furlan, mas a composição passou a ser mais um elemento no conjunto de fatores que cercam sua campanha.

Há ainda uma questão potencialmente mais sensível: as investigações envolvendo os recursos destinados à construção do Hospital Municipal de Macapá. O caso ultrapassou o debate político e chegou à Polícia Federal e ao Supremo Tribunal Federal, com investigação sobre suspeitas de fraude em licitação, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro. Furlan chegou a ser afastado da Prefeitura por decisão judicial durante as apurações e, posteriormente, renunciou ao cargo para disputar o Governo do Estado. O episódio mantém sobre sua candidatura uma cobrança por esclarecimentos, especialmente porque envolve recursos destinados à saúde pública.

É justamente nesse ambiente que o crescimento de Clécio ganha dimensão política. O governador não está apenas absorvendo a perda registrada pelo adversário. Furlan recuou seis pontos, enquanto Clécio ganhou 9,3 — uma diferença de 3,3 pontos que sugere, caso as pesquisas sejam metodologicamente comparáveis, uma capacidade de avançar também sobre eleitores que anteriormente estavam indecisos, declaravam voto branco ou nulo ou apoiavam outras alternativas.

A eleição, portanto, ainda tem Furlan na liderança, mas já não apresenta a mesma configuração de julho. O líder perdeu força, sua vantagem encolheu 15,3 pontos e Clécio cresceu quase dez pontos em apenas um mês. A partir de agora, as próximas pesquisas serão fundamentais para responder a uma pergunta que começa a ganhar espaço no cenário político: o movimento registrado em agosto é apenas uma oscilação ou o início de uma virada na dinâmica da eleição?