Imagina você chegar ali, no bairro Santa Rita, ou no Novo Horizonte, ou ainda em Santana e dar de cara com uma barreira. Sim, uma barreira de pessoas fortemente armadas e você depende da autorização deles para passar.
Isso acontece no Brasil, em especial no Rio de Janeiro, já muito retratado em noticiários, séries, filmes. Mas e se o Amapá escolhesse seguir esse rumo?
Temos uma polícia forte. Um sistema de segurança que vem sendo fortalecido nos últimos anos no Amapá. Mas também temos assistido a muitas tentativas das facções e de figurais ligadas ao crime, de chegarem ao poder.
Em 2024 a PF realizou uma operação que desbaratinou um grupo criminoso que coagia e ameaçava eleitores para que votassem no seu candidato. A operação prendeu caçula e jesa que na época era subsecretário na prefeitura de Macapá.
Esse ano, 2026, o sinal de alerta ficou ainda mais evidente. Em março, informações produzidas pelos órgãos de segurança apontaram indícios de facções tentando criar um verdadeiro “zoneamento” de áreas, com controle territorial para constranger eleitores e influenciar o voto. A reação foi imediata: uma das principais lideranças do crime organizado no Amapá foi transferida para um presídio federal, justamente dentro de uma estratégia para impedir que o poder das facções ultrapassasse os muros do sistema prisional e alcançasse o processo eleitoral.
E a ofensiva não parou aí. A Operação Red Line atingiu pontos estratégicos de facções em Macapá e Santana e revelou organizações estruturadas para disputar territórios, movimentar dinheiro, armazenar armas e comandar crimes até de dentro dos presídios. Na sequência, a Operação Abadom alcançou oito estados, cumpriu 54 mandados de prisão e desmontou uma rede de tráfico e lavagem de dinheiro; enquanto a Renorcrim 4 atingiu diretamente o caixa das organizações criminosas, com mais de R$ 5,3 milhões em ativos bloqueados e apreendidos.
Vieram ainda a Operação Rastro, contra movimentações financeiras atribuídas a lideranças de facção; a Convergência Nacional-Amapá, que perseguiu integrantes e lideranças até outros estados; a Fallere, contra um esquema investigado por buscar benefícios fraudulentos para presos; e a Usufruto Proibido, contra organização envolvida em roubos e lavagem de dinheiro.
O que essas operações mostram é que o crime organizado tenta avançar por várias portas: território, dinheiro, armas, presídios e, agora, até o processo eleitoral. Mas também mostram que o Amapá tem reagido antes que essa realidade se transforme em algo parecido com regiões onde facções determinam quem entra, quem sai e até em quem se vota.
Talvez a grande disputa de 2026 não seja apenas entre candidatos. Seja também para impedir que o medo, o dinheiro e o poder das facções encontrem espaço dentro da política.
Como você quer o Amapá daqui a um, dois, vinte anos? O Amapá feliz, curtindo o rio amazonas e nossas muitas riquezas advindas do petróleo, ou entregue às mãos das facções?

