Trump se contradiz ao falar sobre guerra no Irã e muda versão sobre objetivos do conflito

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vem acumulando declarações contraditórias sobre a guerra contra o Irã desde o início do conflito, em fevereiro.

Ao longo das últimas semanas, Trump alterou diferentes vezes o discurso sobre os objetivos da ofensiva militar, o prazo para o fim da guerra e até sobre uma possível mudança de regime em Teerã.

Trump mudou discurso sobre objetivo da guerra

Nos primeiros dias do conflito, Trump afirmou que a principal meta dos Estados Unidos era destruir a capacidade nuclear do Irã e impedir o avanço do programa de mísseis balísticos do país.

Pouco depois, o presidente passou a defender abertamente a derrubada do regime iraniano. Em várias declarações, ele incentivou a população do Irã a “assumir o controle do governo” e sugeriu apoio a grupos de oposição armada.

No entanto, em pronunciamentos mais recentes, Trump voltou atrás e passou a dizer que os Estados Unidos não buscam mais uma mudança de regime, mas apenas impedir que o Irã desenvolva armas nucleares.

Presidente também mudou previsão para fim do conflito

Outro ponto que gerou críticas foi a mudança constante de prazo para encerrar a guerra.

No início de março, Trump afirmou que os objetivos militares seriam concluídos em menos de um mês. Depois, passou a dizer que a guerra estava “praticamente vencida” e que os EUA estavam “muito perto” de terminar a operação.

Mesmo assim, o presidente voltou a afirmar nesta semana que a ofensiva ainda pode durar de duas a três semanas. Em outro momento, disse que os ataques podem continuar até que o Irã seja levado “de volta à Idade da Pedra”.

Trump diz negociar paz, mas mantém ameaças

Trump também alternou discursos de negociação com ameaças diretas ao governo iraniano.

Enquanto afirma que o Irã estaria disposto a discutir um cessar-fogo, autoridades iranianas negam ter pedido qualquer acordo de paz. Ao mesmo tempo, Trump continua ameaçando ampliar os bombardeios e endurecer as ações militares caso Teerã não aceite as condições impostas pelos Estados Unidos.

Além disso, o presidente declarou que os Estados Unidos podem reduzir rapidamente sua participação no conflito, mas também disse que está disposto a ampliar a ofensiva militar se considerar necessário.

Declarações geram críticas dentro e fora dos EUA

As mudanças frequentes de discurso alimentam críticas de adversários políticos, especialistas e aliados internacionais.

Analistas apontam que Trump tenta equilibrar diferentes mensagens ao mesmo tempo: demonstrar força militar, agradar eleitores contrários à guerra e manter espaço para futuras negociações diplomáticas.

Além disso, integrantes do Congresso dos Estados Unidos questionam se a Casa Branca tem uma estratégia clara para o conflito. Alguns assessores do Pentágono também já contradisseram declarações da presidência sobre ameaças iranianas e os objetivos da guerra.

Guerra entre EUA e Irã já dura mais de um mês

A guerra entre Estados Unidos e Irã começou no fim de fevereiro e já provocou milhares de mortes, destruição de infraestrutura militar e forte impacto nos preços do petróleo e do gás.

O conflito também elevou a tensão no Oriente Médio, provocou reações de aliados dos EUA e aumentou o temor de uma crise internacional ainda maior.